Este blog posta comentários sobre filmes, na sua maioria lançamentos ou clássicos do cinema que são considerados imprescindíveis. Fique a vontade para comentar e sugerir.
Os Agentes do Destino é o típico filme que começa de maneira muito promissora, fazendo críticas a tudo e a todos. No caso ele critica a maneira como as identidades hoje estão dispersas sem ninguém mais saber o que é, e para onde vai. Alguns filmes tentam beber no cinema que tinha um discurso crítico, algo a dizer para as pessoas que entravam na sala de cinema.
Bem, neste sentido Os Agentes do Destino cumpre seu papel logo no começo, mas depois ele acaba caindo na mesmice, na babaquice e na lavagem ou ração mastigada que são as histórias de hoje, tudo bem mastigadinho para que ninguém gaste muito tempo pensando no que o personagem quis dizer, ou o que o diretor queria passar com tal cena, com aquela informação.
Sinopse: Tudo começa com David Norris (Matt Damon) político de Nova York que tenta concorrer a uma vaga para o Senado. Ao ter seu futuro quase que garantido pelas pesquisas de intenção de voto, a história sofre um revés quando ele conhece Elise (Emily Blunt). Aí entram em cena alguns homens misteriosos que teriam como missão retomar os destinos de todos as pessoas (pelo menos as que realmente importam).
Comentário: As coisas que agradam no filme são o clima até meio noir, passado pelos tons de cinza em algumas cenas e o figurino. A atuação de Blunt salva o elenco, que até tem bom nível. E a história? O filme se esforça sabe. O diretor George Nolfi que não vem de uma tradição que podemos dizer sensacional de filmes parece ter seguido a cartilha de Hollywood, nada muito difícil, tudo bem explicadinho. Acho que é aí que acabam errando. Na tentativa de deixar o público bem inteirado na história eles acabam cometendo furos de roteiro. Quem se arriscar a assistir e ver as cenas finais de perseguição entenderá o que falo. E nem vou mencionar que a justificativas para os agentes quererem acertar o destino de Norris é a desculpa mais esfarrapada da face da terra.
Aqui o trailer:
Indicado para quem acredita que depende só de você. ... quanta inocência.
"Nostalgia é um estado de negação. É o medo de enfrentar o presente escondendo-se no passado".
Na quarta-feira (22/06) conversando com meu amigo Jack sobre que filme deveríamos assistir ele comentou sobre o filme dirigido por Woody Allen, Meia-noite em Paris, eu de súbito o tolhi e disse que não gostava dos filmes dirigidos pelo Woody Allen. Foi então que recebi uma notícia no mínimo desagradável, pois o Jack sabia que eu havia gostado muito do filme Vicky Cristina Barcelona, que é dirigido por quem? Ninguém mais, ninguém menos do que o senhor Woody Allen. Eu, sem rodeios argumentei que então não gostava mais do filme e etc, etc., mas é óbvio que o meu apreço em relação à Vicky Cristina Barcelona não mudara e acabamos não assistindo o filme indicado por ele. Mas os dias passam e neste domingo (26/06) fui ao cinema e vi que o filme Meia-noite em Paris estava em cartaz, não tive dúvidas e fui assisti-lo certo de que iria achincalhar o meu grande amigo Jack sobre a qualidade do filme, porém me precipitei mais uma vez. Mais um ponto pra você Jack.
Sinopse: Gil Pender (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escritores americanos e quis ser como eles. A vida lhe levou a trabalhar como roteirista em Hollywood, o que se por um lado fez com que fosse muito bem remunerado, por outro lhe rendeu uma boa dose de frustração. Agora ele está prestes a ir a Paris ao lado de sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e dos pais dela, John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy). John irá à cidade para fechar um grande negócio e não se preocupa nem um pouco em esconder sua desaprovação pelo futuro genro. Estar em Paris faz com que Gil volte a se questionar sobre os rumos de sua vida, desencadeando o velho sonho de se tornar um escritor reconhecido.
Comentário: O filme Meia-noite em Paris, que na minha opinião foi brilhantemente escrito, nos faz pensar e analisar o cotidiano que vivemos e neste momento vou parafrasear Tyler Durden no filme Clube da Luta: "Trabalhamos em empregos que não gostamos para comprar coisas que não precisamos". Owen Wilson é no mínimo encantador ao interpretar o papel de Gil Pender, roteirista Hollywoodiano infeliz com a fama e sucesso e busca nos pequenas coisas da vida a verdadeira felicidade. Assim como Gil, quem de nós não gostaria de viver num lugar onde todos os nossos heróis e pessoas que amamos e idolatramos convivessem conosco, conversassem e interagissem com a nossa vida, preocupações e sonhos. É incrível como tudo isto é colocado na trama, de uma maneira profunda, sutilmente engraçada e coerente de acordo com tudo aquilo que Gil, o nostálgico gostaria que a sua vida fosse. E o final do filme é daqueles que nos deixam com gostinho de quero mais e mais. Se eu fosse Gil Pender, que no seu mundo ideal encontrou Pablo Picasso, Ernest Hemingway, Salvador Dalí, Gogan e Scott Fitzgerald, eu com certeza faria um dueto com Elvis Presley em Las Vegas, caçaria fugitivos pela galáxia com Boba Fett e duelaria com Miyamoto Musashi . O filme é simplesmente brilhante e encantador.
"O macaco é um animal demasiado simpático para que o homem descenda dele." - Friedrich Nietzsche
Existe um certo problema quando procuro ver um filme que tenha marcado uma época na minha vida. Sempre que pretendo assistir novamente algum filme, após décadas onde guardei apenas algumas cenas na memória, e claro guardei também um grande apresso, acabo me decepcionando. E pensando: "como pude gostar disso naquela época?" Lógico, pessoas mudam, e com elas os seus gostos. Então quando tem um filme do qual me lembro tanto de gostar, fico com certo receio de assisti-lo e acabar não achando mais graça nele. Quando pretendi assistir Planeta dos Macacos filme de 1968, o medo foi maior ainda. Isso porque tinha na minha memória a icônica cena de Charlton Heston chegando a praia, e caído desolado na areia do mar, como sendo uma das minhas cenas favoritas do cinema. Tinha também a marca entre não saber se torcia para o homem ou para o macaco, fato esse para quem assistiu a todos os filmes, deve ter realmente se alterado ao passar de cada filme. A franquia tem ao todo 5 filmes, uma série de TV, série animada, e documentários, existe também o remake de 2001 e um filme para ser lançado ainda este ano que se chamará The Rise of Planet of the Apes. Ou seja, a dúvida era, ver ou não ver. Estragar a boa imagem do filme que tinha na minha memória, seria um risco pra alguém que gosta de ter boas memórias. Mas enfim, me arrisquei e o resultado foi melhor do que eu esperava.
Sinopse: A história começa com o astronauta Coronel Taylor (Charlton Heston), contando que ele está em uma viagem no espaço. A viagem pretende fazer uma expedição em outros planetas. Baseada em uma teoria que diz que se você viaja no espaço por um ano luz, pra você terá passado apenas um ano, mas para quem está fora daquela viagem terão se passado milhares de anos. A nave no entanto cai com sua tripulação em um planeta aparentemente inóspito e desabitado. Ao começar a investigar o planeta, o Coronel Taylor descobre uma civilização constituída por macacos.
Comentário: O filme é de 1968, no entanto ele funciona ainda hoje. Falo isso pensando na linguagem cinematográfica que existe hoje, com câmeras super rápidas e planos dos mais diferentes possíveis. Até mesmo as saídas criativas para os efeitos especiais são ainda dignas de aplauso para um filme tão antigo. Mas o que existe de bom mesmo em Planeta dos Macacos é sua história. Caído no planeta o astronauta é considerado um elo perdido pelos macacos, a prova de que o macaco evoluiu do homem. Os personagens marcantes de Cornelius (Roddy McDowall) que faz papel de um macaco arqueólogo que pretende provar que existiam raças muito mais evoluídas do que o macaco no passado, e Dr. Zyra (Kim Hunter) uma psicologa de animais são sensacionais. São eles que desafiam o núcleo de símios que governam a civilização de macacos. Esses sábios que tentam cultivar as regras baseadas na fé e religião são desafiados pela ciência, o que torna o jogo de paradoxos bastante interessante. O famoso final, que foi reproduzido de diversas formas no cinema, nos quadrinhos e nos desenhos, é um show a parte. Apesar de ser ele uma parte que dá grande brilho ao filme, e todo mundo já estar cansado de saber o que se revela, ele ainda permanece como um dos melhores finais de filmes na minha opinião. O resultado de te-lo assistido então foi muito proveitoso. Recomendo para quem é mais jovem e não conhece, que assista, e quem não vê faz tempo que relembre.
Aqui o trailer: Indicado para todos os elos perdidos
O filme é de comédia, mas o assunto no fundo é sério. As relações em casamentos em crise. E aí quando acontecem as crises, de quem é a culpa? Nota - 10
Há algum tempo assisti um filme que me desapontou muito, "Se beber não case". Todo mundo baba ovo por este filme que se passa por "genial". Poxa, ou sou muito chato ou realmente não entendi piada nenhuma daquele filme. Enfim, estou falando disso porque na época pensei: "os irmãos Farrely são muito melhores que esses diretores que lançam filmes que fazem modinhas." Esperava ansiosamente pelo próximo filme dos caras, que dirigiram nada mais nada menos do que pérolas como "Quem vai ficar com Mary", "Ligado em você", o "Amor é Cego", e "Eu, eu mesmo e Irene"
Sinopse: O filme conta a história de Rick (Owen Wilson), um cara gente fina a valer, e que só quer poder levar sua vida com os filhos e a linda esposa numa boa. Porém, as coisas no casamento já não andam como ele gostaria. As coisas com a mulher já não rendem mais, e isso nem é sua culpa. O resultado é que a mulher dele lhe dá uma semana de "passe livre" para fazer o que quiser. A idéia seria de que passado uma semana, ele voltaria para casa e daria mais valor a sua vida e família. Aí está o problema, Rick já fazia isso antes. Enfim "autas confusões no melhor estilo sessão da tarde".
Comentário: Não dá pra falar do roteiro, que tem seus buracos. Fotografia? Pra que? Interpretações? ué, até são bacanas, todo mundo descontraído, afinal ninguém está ali pra ganhar oscar. E as piadas? Jesus Maria e José, tem desde as muito sem graça, até as que te fazem passar mal. Em uma determinada cena tive de dar uma parada e sair pra respirar. Ou seja, o balanço do filme é muito positivo, acho que ele se iguala aos filmes anteriores dos Irmãos Farrely. Hall Pass segue todos os requisitos. O que faltou aqui, seria talvez um ator mais conhecido junto com Owen Wilson, ou então um pouco mais talentoso já que seu parceiro não se saiu muito bem. Mas este é um pequeno detalhe, pois o filme é muito bom.
Aqui o trailer:
Indicado para quem já passou momentos constrangedores no vestiário.
Mundo fantástico dos livros começa a ser transposto para a televisão.
Começou a cerca de duas semanas pela HBO, uma nova série. Ela vem com uma proposta bastante corajosa. Tentará trazer para a televisão um universo fantástico baseado na obra de George R. R. Martin, a série de livros com título de As Crônicas de Gelo e Fogo. Provavelmente numa estratégia de atingir melhor o público televisivo, optaram por dar a série o título do primeiro livro, que é Game of Thrones, que tem um impacto bem mais forte, já que o nome "crônicas" poderia sugerir um relacionamento a outra série de livros que foi para o cinema: o fracasso Crônicas de Nárnia. Sobre isso aliás algumas pessoas podem dizer que Nárnia não foi um fracasso, bom, eu diria que se comparar com outras séries de livros adaptadas como Harry Potter, e o Senhor dos Anéis, foi sim, aliás um fracasso retumbante.
Bem, os produtores sabiam que seria algo arriscado, e o fato de ela não ir para os cinemas e sim para TV, já é algo que demonstra um cuidado, e até um critério. Cuidado porque com certeza uma história de épico fantástico dificilmente terá interesse agora nos cinemas, pelo fato de Senhor dos Anéis ser ainda muito recente, e pelo fato de tentativas de reproduzir seu sucesso, como é o caso de Nárnia, demonstrarem que o risco não vale a pena. A parte do critério fica por conta, de que a Game of Thones é muito mais extenso. Até agora pelo que sei, são 8 livros, cuja a história ainda está em andamento. O primeiro livro, que dá nome a série, Guerra dos Tronos, tem 593 páginas, só para vocês terem noção do quanto a história é extensa. Mas então. Será que a série vinga? Será que dura mais de uma temporada? Ela é boa?
A Série.
Como sempre, não li os livros, eu dificilmente tenho tempo para literatura, quanto mais essas coisas intermináveis. Pra suprir meu desejo por literatura, leio contos e poemas, que já são mais que suficiente. A série começa num lugar chamado Winterfell, governada por Eddard Stark senhor do Norte, que é apenas uma parte do mundo de Westeros que se divide em Sete Reinos, ou algo assim. A importancia deste lugar, parece estar contida por ela guardar a fronteira do mundo dos homens, das terras geladas de criaturas que até agora não explicaram muito bem o que são.
O primeiro episódio é bacana, mostra alguns personagens sobre tudo de Winterfell, se concentrando na família Stark. Nada de tocante acontece o que deixa a sensação de nem voltar mais a assisti-la. O segundo epísódio já dá algumas dicas do que vai ser interessante na série. O passar do terceiro e quarto episódio (os únicos exibidos até aqui) mostram a riqueza dos vários reinos, mas apenas alguns ainda aparecem. Mostram culturas diferentes, e também ideais diferentes, bem como a disputa de poder e domínio de uns com os outros. Até agora não houve confrontações entre os reinos, mas de fato não há como fugir disso, uma hora será fatal. Enquanto isso, a série procura desenvolver melhor seus personagens, e coloca subtramas, com trapaças e traições, mas também solidariedade. O que esta curioso até agora é a questão das estações. Parece que as estações neste mundo duram vários anos, e por hora, todos temem a chegada do inverno, aonde parece que um perigo se aproxima. A grande muralha que é guardada pelos que "Vestem Preto", e separa o mundo dos homens, também é algo interessante e que será legal saber do que de fato ela protege. A série conta com atores muito bons, e já acostumados ao clima fantástico, é o caso de Sean Bean que interpreta Eddard Stark (ele também foi o Boromir em Senhor dos Anéis) e Lena Headey (a Rainha espartana em 300).
A série conseguiu uma renovação para a segunda temporada, apesar de ter tido até agora, baixos índices de audiência. O custo deve ser alto, dada a produção, e os lugares de locações, que são na sua maioria bem atípicos. Tem ótima fotografia, e a música se tem, não prestei atenção. Por hora digo que vou acompanhar, mas ela precisa melhorar. Acabei de saber que cada temporada pretende cobrir um livro da série, espero que Game of Thrones faça sucesso, pois se derem o nome para a segunda temporada com o nome do segundo livro ( A Muralha de Gelo), talvez cause confusão na cabeça das pessoas.
Mistura de Ensaio sobre a Cegueira com Psicose. Nota 10 - Recomendo ;)
Um dos melhores filmes este ano.
Acho que todo mundo conhece Guillermo del Toro (Labirinto do Fauno, Hellboy I e II), diretor extremamente competente nascido no México e que atualmente esta produzindo o melhor que se pode encontrar em se tratando de filmes com suspense e terror criativo.
Veio dele a iniciativa para filmes como "o Orfanato" e agora "Os olhos de Júlia", este último aliás deixaria Hitchcock orgulhoso de ter criado escola no cinema espanhol.
Sinopse: O filme começa com Sara, mulher que sofre de uma doença que degenera a sua visão aos poucos. Sara se vê cercada no porão de sua casa por alguém misterioso, e acaba cometendo suicídio (como mostra o trailer). A irmã de Sara, que tem a mesma doença que ela, descobre a tragédia, mas decide investigar o motivo do suicídio, enquanto descobre pistas, ela acaba sendo perseguida pela mesma sombra misteriosa que matou sua irmã.
Comentário: O novato diretor espanhol Guillem Morales não poupou sequencias claustrofóbicas. Existem muitos planos em primeira pessoa, como cenas de perseguição em túneis semi escuros. Há muita investigação, mas a história quase não se esclarece, até quase o final. A tentativa de não deixar nem os espectadores reconhecerem que está a frente de Julia (Belén Rueda) mostra que a criatividade não está morta no cinema. Algumas cenas são bárbaras, como a mencionada perseguição dentro do túnel escuro, e uma mais ao final, onde sequencias de flashs de uma máquina fotográfica proporcionam a única fonte de luz para o desenrolar da cena. Morales fez até um certo grau de "gore" em uma determinada cena, o que achei interessante, mas também dispensável, mas enfim, foi a saída para o final. Existe uma certa tensão entre a descoberta do que afinal persegue Julia, em alguns momentos o filme flerta com o sobrenatural, mas não cai no simplismo e volta de novo ao mundo real. O filme é tão bom que acho que vou comprá-lo pra guardar e emprestar. É muito bom ver a Espanha se destacando em uma espécie de filme que está quase sumido das prateleiras das locadoras, onde só se encontra filmes de ação descerebrada e comédias românticas mela cueca.
Aqui o trailer. Somente em Espanhol
Indicado para quem fica emputecido quando a vítima escolhe a porta errada para fugir.
Viu só, também sei fazer aquelas frases de efeito que as revistas e os jornais colocam dos filmes que avaliam.
Sinopse: A história é sobre a vida de Cody, filho de uma dependente de heroína. A mãe de Cody morre de overdose enquanto eles assistiam um programa na televisão, ele calmamente levanta, chama a polícia e espera. Assim começa o filme. Após isso, Cody vai morar com a avó e os quatro tios, todos traficantes. O filme se concentra na adaptação de um garoto deslocado de seu mundo e que tenta se adequar.
Comentário: Reino Animal é um exercício sobre a capacidade humana de adaptação. Partidários da teoria de que o meio influência e constrói as pessoas, encontraram no filme uma ótima reflexão. Cody entra num habitat que não é o dele. Ele faz o que poderia fazer, tenta agradar os tios criminosos, a avó, os policiais, acha uma namorada, a dúvida é se ele consegue sobreviver até o fim. O filme foi campeão do festival de filmes independentes de Utha, o Sundance Films, além de indicações ao Oscar. Guy Pearce é o único ator famoso.
Aqui o trailer:
Indicado para quem não gosta de agradar os outros.