Enquanto filme, "Amelia" é ótimo, já como cine-biografia não sei dizer. As críticas do filme foram as piores, talvez porque todas que eu li, misturaram História com ficção, aqui prevalece a segunda. Então coloco aqui não só um comentário ao filme, mas a todos os críticos medíocres (na sua maioria jornalistas que se acham historiadores) que não sabem separar uma coisa da outra, e por terem preguiça de ler um livro esperam que todo filme seja extremamente fiel a vida real, e esquecem de que a arte apenas imita a vida.
Cine-biográfias são os filmes mais difíceis de se avaliar ou fazer um comentário. Como historiador eu sei que não dá para resumir uma batalha de Napoleão ou da Segunda Guerra em duas horas de filme, mesmo que tenha sido um evento que tenha durado apenas 10 minutos na sua realidade. Isto é impossível e ponto final. Como então concentrar esforços para resumir a vida toda de uma pessoa? Ler uma biografia é uma coisa, assim como ler um livro sobre determinado evento histórico, olhando na estante das livrarias você nota que várias delas passam de 500 as vezes 1000 páginas. Agora, o filme histórico por mais bem feito que seja não atinge na minha opinião, um décimo da vida ou episódio que pretende narrar. Se estes filmes tem algum fundamento? Sim, eles servem como guia de interesse, e de certo conhecimento. Quem sabe quantos não vão depois de um filme histórico procurar saber mais sobre o evento ou a pessoa? : )
O filme "Amelia" não poderia ser diferente. Portanto esse comentário vai ser apenas sobre o filme em si. E vou esquecer que a personagem principal realmente existiu, vou tratar o filme como uma ficção em si.
Primeiro parabéns para Hilary Swank só ela para encanar o personagem deste tipo, forte e aventureiro. Ela felizmente não é aquele tipinho de atriz bonitinha e cara de boneca de cera. Sua beleza é sempre contestada nas críticas sobre seus filmes, e acho um absurdo pois para mim ela é linda e muito talentosa, como prova mais uma vez neste papel. Richard Gere e Ewan MacGregor continuam com suas interpretações de costume, Gere não tem muitas caras e parece que não gosta do que faz; Macgregor se esforça mas sempre interpreta de maneira muito técnica, e isso o deixa parecendo automático em cena.
O filme se concentra em mostrar a carreira da piloto Amelia Earhart e todo seu pioneirismo na aviação e luta pelo espaço e reconhecimento das mulheres. A história foca principalmente durante o final da década de 20, e decorrer da década de 30. Apesar de não ser mostrado no filme, se nota a dificultade de Amelia para continuar voando. Mesmo após se tornar uma celebridade sendo a primeira mulher a cruzar o Atlântico como passageira, e depois em voar sozinha o mesmo trageto, ela não parece ter apoio do governo dos EUA por exemplo, que sempre da valor a este tipo de coisa. Bem, eram épocas difícieis para os EUA, que não eram ainda a maior potência econômica do planeta e viviam a fase negra da crise de 29.
Sendo assim, Amélia se envolve num triângulo amoroso onde Putnan (editor de livros) seu marido que parece amar Amelia de verdade, e Gene Vidal (importante aviador dos EUA) exploram o que podem a imagem de Amelia, sempre com a desculpa de que o dinheiro que ela ganha fazendo propaganda de produtos dos quais ela não confia, não gosta e não concorda, servirão para patrocinar novos voôs. Neste passo Amelia sempre é mostrada triste de ter que vender a alma ao demônio da propaganda e markenting, pois ela sempre reluta em aceitar as propostas, inclusive lhe encomoda a idéia de enganar as pessoas. Até que finalmente rompe. Pelo menos com Vidal. Por outro lado Putnan rompe também com os contratos publicitários e consegue apoio de uma Universidade de pesquisas para financiar a viagem de Amelia ao redor do mundo.
A aviadora pelo menos como é mostrada no filme tem um espírito forte, aventureiro de quem quer testar seus limites e romper as barreiras do que já foi feito. É um modo romântico de desafiar a vida, algo que não existe mais neste século, não só nas mulheres como nos homens. Hoje o mundo vive apenas o imediato e instantâneo, não há espaço para projetos e sonhos para o futuro.
Com uma fotografia exuberante, costumização de época impecável e um final dramático, o balanço da diretora indiana Mira Nair, sai em alta.
Aqui o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=eZ6RKzBplG0
Indicado para quem sabe diferenciar História de história e sabe se divertir com a segunda.




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